Sobre este estudo
Como parte da iniciativa do RADAR GT2R de disponibilizar dados públicos sobre o mercado brasileiro de motocicletas, analisamos as 50 cidades com maior frota de motos ano de fabricação 2025. Comparamos o volume registrado no RENAVAM/SENATRAN para os anos de fabricação 2024 e 2025 em cada uma dessas cidades, buscando identificar padrões de crescimento e formular hipóteses sobre os fatores que podem explicá-los.
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Frota 2024, frota 2025, crescimento absoluto e percentual, por cidade — fonte RENAVAM/SENATRAN.
Nota metodológica
Os valores desta análise referem-se à frota de motocicletas registrada no RENAVAM/SENATRAN, segmentada por ano de fabricação do veículo — ou seja, quantas motos ano/modelo 2024 e quantas motos ano/modelo 2025 estão hoje registradas em cada cidade. Não é a frota total do município, e sim um recorte que evidencia o ritmo de renovação e entrada de veículos novos na frota circulante. O padrão de crescimento é bastante uniforme entre as 50 cidades analisadas (entre 89% e 165%), o que sugere um movimento nacional consistente, e não uma particularidade isolada de poucas cidades.
1. Crescimento total das 50 maiores cidades
Somando as 50 cidades com maior frota de motos ano de fabricação 2025, o volume total passou de 610.989 motos (ano/modelo 2024) para 1.270.927 motos (ano/modelo 2025) — um crescimento de 659.938 unidades, equivalente a 108,0%.
Esse crescimento consistente, presente em praticamente todas as cidades do grupo e não concentrado em uma ou duas capitais, reforça a leitura de um movimento nacional de expansão da frota de motos novas, e não um fenômeno pontual de mercado.
2. As 10 cidades com maior crescimento
Entre as 50 maiores, estas cidades tiveram o maior crescimento percentual de motos ano/modelo 2025 em relação a 2024:
| Cidade | Frota 2024 | Frota 2025 | Crescimento |
|---|---|---|---|
| Macapá | 6.604 | 17.532 | 165,5% |
| Feira de Santana | 8.601 | 19.671 | 128,7% |
| Teresina | 14.367 | 32.644 | 127,2% |
| Fortaleza | 24.464 | 55.053 | 125,0% |
| Cuiabá | 9.628 | 21.635 | 124,7% |
| Londrina | 4.284 | 9.551 | 122,9% |
| Rio Branco | 5.268 | 11.688 | 121,9% |
| Marabá | 6.317 | 13.958 | 121,0% |
| Serra | 4.316 | 9.536 | 120,9% |
| Aracaju | 6.714 | 14.787 | 120,2% |
Chama atenção a presença de capitais e cidades médias do Norte e Nordeste (Macapá, Feira de Santana, Teresina, Fortaleza, Cuiabá, Marabá, Aracaju) na liderança do crescimento, além de Rio Branco e de Londrina e Serra representando o Sul/Sudeste — um sinal de que a expansão da frota de motos novas está especialmente forte em regiões com menor cobertura histórica de transporte público de qualidade e forte presença da economia de aplicativos.
3. As 10 cidades com menor crescimento (dentro das 50 maiores)
Mesmo entre as cidades que cresceram menos dentro do grupo das 50 maiores, o crescimento permaneceu expressivo — todas acima de 89%:
| Cidade | Frota 2024 | Frota 2025 | Crescimento |
|---|---|---|---|
| Maceió | 11.172 | 21.132 | 89,2% |
| Campo Grande | 12.794 | 24.246 | 89,5% |
| Palmas | 6.512 | 12.506 | 92,0% |
| São Gonçalo | 7.718 | 14.915 | 93,2% |
| São Paulo | 97.523 | 189.940 | 94,8% |
| Duque de Caxias | 7.600 | 14.947 | 96,7% |
| Sorocaba | 6.289 | 12.404 | 97,2% |
| Nova Iguaçu | 6.753 | 13.563 | 100,8% |
| Ananindeua | 9.717 | 19.529 | 101,0% |
| Ribeirão Preto | 6.742 | 13.617 | 102,0% |
É notável que São Paulo, a maior frota do país, apareça entre as que menos cresceram proporcionalmente (94,8%) — um padrão esperado em bases já muito grandes, onde o mesmo volume absoluto de motos novas (92 mil unidades) representa um percentual menor do que em cidades de porte médio. Ainda assim, mesmo a menor taxa de crescimento do grupo (Maceió, 89,2%) está próxima da média nacional das 50 cidades, reforçando o caráter amplo e disseminado do fenômeno.
4. Hipóteses para o crescimento 2024–2025
O crescimento expressivo e disseminado da frota de motos novas entre 2024 e 2025 provavelmente resulta da combinação de diversos fatores estruturais do mercado brasileiro, e não de uma causa isolada. Algumas hipóteses que merecem investigação mais aprofundada:
Mobilidade urbana e trânsito nas grandes cidades
O agravamento do trânsito nas capitais e regiões metropolitanas tem tornado a moto uma alternativa cada vez mais racional para deslocamento — mais barata de manter, mais ágil no trânsito congestionado e mais fácil de estacionar do que o carro. Esse fator tende a pesar especialmente em cidades de porte médio que cresceram rapidamente em população e frota veicular nos últimos anos, mas sem investimento proporcional em transporte público ou infraestrutura viária.
Oportunidade de renda e trabalho por conta própria
Em um cenário de mercado de trabalho ainda marcado por informalidade e busca por complementação de renda, a moto se consolidou como ferramenta de trabalho acessível — seja para entregas, transporte de passageiros ou deslocamento até o trabalho. A aquisição de uma moto passou, para uma parcela relevante da população, a representar não apenas um bem de consumo, mas um instrumento de geração de renda.
Expansão dos aplicativos de entrega
O crescimento contínuo de aplicativos como iFood, Rappi e outros players de last-mile delivery ampliou a demanda por entregadores motorizados em praticamente todas as cidades médias e grandes do país. Esse movimento é coerente com o crescimento observado em cidades do interior e capitais regionais, onde a demanda por entrega rápida cresceu de forma acelerada nos últimos anos.
Moto-táxi e transporte por aplicativo (Uber Moto, 99Moto, InDrive Moto)
A expansão de modalidades de transporte por aplicativo específicas para moto — Uber Moto, 99Moto, InDrive Moto, além do moto-táxi tradicional e mais estruturado em várias cidades — criou uma nova frente de demanda por veículos, tanto para quem busca uma renda extra dirigindo quanto para passageiros que passaram a ver a moto como alternativa de transporte urbano mais barata e rápida.
Facilidade de crédito e condições de financiamento
Linhas de crédito voltadas especificamente para motocicletas, com entrada facilitada, prazos estendidos e aprovação mais ágil — inclusive por meio de fintechs e das próprias financeiras das montadoras — reduziram a barreira de entrada para aquisição de um veículo novo. Esse fator tende a ser especialmente relevante em regiões com menor renda média, onde o acesso a crédito historicamente era mais restrito.
Outros fatores a investigar
Vale considerar ainda: a renovação natural de uma frota que envelheceu nos anos de menor produção durante a pandemia; o lançamento de novos modelos mais competitivos em preço por parte das montadoras; e o crescimento econômico e populacional acima da média nacional em várias das cidades do Norte e Nordeste que lideraram o crescimento percentual.
Dados completos
A planilha com os dados completos das 50 cidades analisadas — frota 2024, frota 2025, crescimento absoluto e percentual — está disponível para download abaixo, como material de pesquisa aberta do RADAR GT2R.
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Frota 2024, frota 2025, crescimento absoluto e percentual, por cidade — fonte RENAVAM/SENATRAN.