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Insight de crescimento

Comparativo de frota de motos por cidade: o que os dados de 2024 e 2025 revelam

Ranking das 50 maiores cidades por frota de motos ano de fabricação 2025, crescimento por região e hipóteses para o que está impulsionando o mercado

14 de agosto de 2026·7 min de leitura

Sobre este estudo

Como parte da iniciativa do RADAR GT2R de disponibilizar dados públicos sobre o mercado brasileiro de motocicletas, analisamos as 50 cidades com maior frota de motos ano de fabricação 2025. Comparamos o volume registrado no RENAVAM/SENATRAN para os anos de fabricação 2024 e 2025 em cada uma dessas cidades, buscando identificar padrões de crescimento e formular hipóteses sobre os fatores que podem explicá-los.

Baixar planilha completa (Excel · 50 cidades)

Frota 2024, frota 2025, crescimento absoluto e percentual, por cidade — fonte RENAVAM/SENATRAN.

Nota metodológica

Os valores desta análise referem-se à frota de motocicletas registrada no RENAVAM/SENATRAN, segmentada por ano de fabricação do veículo — ou seja, quantas motos ano/modelo 2024 e quantas motos ano/modelo 2025 estão hoje registradas em cada cidade. Não é a frota total do município, e sim um recorte que evidencia o ritmo de renovação e entrada de veículos novos na frota circulante. O padrão de crescimento é bastante uniforme entre as 50 cidades analisadas (entre 89% e 165%), o que sugere um movimento nacional consistente, e não uma particularidade isolada de poucas cidades.

1. Crescimento total das 50 maiores cidades

Somando as 50 cidades com maior frota de motos ano de fabricação 2025, o volume total passou de 610.989 motos (ano/modelo 2024) para 1.270.927 motos (ano/modelo 2025) — um crescimento de 659.938 unidades, equivalente a 108,0%.

Esse crescimento consistente, presente em praticamente todas as cidades do grupo e não concentrado em uma ou duas capitais, reforça a leitura de um movimento nacional de expansão da frota de motos novas, e não um fenômeno pontual de mercado.

2. As 10 cidades com maior crescimento

Entre as 50 maiores, estas cidades tiveram o maior crescimento percentual de motos ano/modelo 2025 em relação a 2024:

CidadeFrota 2024Frota 2025Crescimento
Macapá6.60417.532165,5%
Feira de Santana8.60119.671128,7%
Teresina14.36732.644127,2%
Fortaleza24.46455.053125,0%
Cuiabá9.62821.635124,7%
Londrina4.2849.551122,9%
Rio Branco5.26811.688121,9%
Marabá6.31713.958121,0%
Serra4.3169.536120,9%
Aracaju6.71414.787120,2%

Chama atenção a presença de capitais e cidades médias do Norte e Nordeste (Macapá, Feira de Santana, Teresina, Fortaleza, Cuiabá, Marabá, Aracaju) na liderança do crescimento, além de Rio Branco e de Londrina e Serra representando o Sul/Sudeste — um sinal de que a expansão da frota de motos novas está especialmente forte em regiões com menor cobertura histórica de transporte público de qualidade e forte presença da economia de aplicativos.

3. As 10 cidades com menor crescimento (dentro das 50 maiores)

Mesmo entre as cidades que cresceram menos dentro do grupo das 50 maiores, o crescimento permaneceu expressivo — todas acima de 89%:

CidadeFrota 2024Frota 2025Crescimento
Maceió11.17221.13289,2%
Campo Grande12.79424.24689,5%
Palmas6.51212.50692,0%
São Gonçalo7.71814.91593,2%
São Paulo97.523189.94094,8%
Duque de Caxias7.60014.94796,7%
Sorocaba6.28912.40497,2%
Nova Iguaçu6.75313.563100,8%
Ananindeua9.71719.529101,0%
Ribeirão Preto6.74213.617102,0%

É notável que São Paulo, a maior frota do país, apareça entre as que menos cresceram proporcionalmente (94,8%) — um padrão esperado em bases já muito grandes, onde o mesmo volume absoluto de motos novas (92 mil unidades) representa um percentual menor do que em cidades de porte médio. Ainda assim, mesmo a menor taxa de crescimento do grupo (Maceió, 89,2%) está próxima da média nacional das 50 cidades, reforçando o caráter amplo e disseminado do fenômeno.

4. Hipóteses para o crescimento 2024–2025

O crescimento expressivo e disseminado da frota de motos novas entre 2024 e 2025 provavelmente resulta da combinação de diversos fatores estruturais do mercado brasileiro, e não de uma causa isolada. Algumas hipóteses que merecem investigação mais aprofundada:

Mobilidade urbana e trânsito nas grandes cidades

O agravamento do trânsito nas capitais e regiões metropolitanas tem tornado a moto uma alternativa cada vez mais racional para deslocamento — mais barata de manter, mais ágil no trânsito congestionado e mais fácil de estacionar do que o carro. Esse fator tende a pesar especialmente em cidades de porte médio que cresceram rapidamente em população e frota veicular nos últimos anos, mas sem investimento proporcional em transporte público ou infraestrutura viária.

Oportunidade de renda e trabalho por conta própria

Em um cenário de mercado de trabalho ainda marcado por informalidade e busca por complementação de renda, a moto se consolidou como ferramenta de trabalho acessível — seja para entregas, transporte de passageiros ou deslocamento até o trabalho. A aquisição de uma moto passou, para uma parcela relevante da população, a representar não apenas um bem de consumo, mas um instrumento de geração de renda.

Expansão dos aplicativos de entrega

O crescimento contínuo de aplicativos como iFood, Rappi e outros players de last-mile delivery ampliou a demanda por entregadores motorizados em praticamente todas as cidades médias e grandes do país. Esse movimento é coerente com o crescimento observado em cidades do interior e capitais regionais, onde a demanda por entrega rápida cresceu de forma acelerada nos últimos anos.

Moto-táxi e transporte por aplicativo (Uber Moto, 99Moto, InDrive Moto)

A expansão de modalidades de transporte por aplicativo específicas para moto — Uber Moto, 99Moto, InDrive Moto, além do moto-táxi tradicional e mais estruturado em várias cidades — criou uma nova frente de demanda por veículos, tanto para quem busca uma renda extra dirigindo quanto para passageiros que passaram a ver a moto como alternativa de transporte urbano mais barata e rápida.

Facilidade de crédito e condições de financiamento

Linhas de crédito voltadas especificamente para motocicletas, com entrada facilitada, prazos estendidos e aprovação mais ágil — inclusive por meio de fintechs e das próprias financeiras das montadoras — reduziram a barreira de entrada para aquisição de um veículo novo. Esse fator tende a ser especialmente relevante em regiões com menor renda média, onde o acesso a crédito historicamente era mais restrito.

Outros fatores a investigar

Vale considerar ainda: a renovação natural de uma frota que envelheceu nos anos de menor produção durante a pandemia; o lançamento de novos modelos mais competitivos em preço por parte das montadoras; e o crescimento econômico e populacional acima da média nacional em várias das cidades do Norte e Nordeste que lideraram o crescimento percentual.

Dados completos

A planilha com os dados completos das 50 cidades analisadas — frota 2024, frota 2025, crescimento absoluto e percentual — está disponível para download abaixo, como material de pesquisa aberta do RADAR GT2R.

Baixar planilha completa (Excel · 50 cidades)

Frota 2024, frota 2025, crescimento absoluto e percentual, por cidade — fonte RENAVAM/SENATRAN.

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